Drones do Irã: uma nova era de guerra de baixo custo

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Os recentes conflitos envolvendo o Irão realçaram uma mudança crítica na guerra moderna: o aumento de drones baratos e eficazes. Embora os EUA tenham infligido danos à infra-estrutura militar iraniana, o Irão mantém uma vantagem significativa sob a forma de veículos aéreos não tripulados (UAV) baratos e altamente precisos, como o Shahed-136. Esses drones não são apenas um incômodo; eles estão esgotando ativamente os estoques de interceptadores americanos e causando baixas.

A ameaça: drones baratos, alto impacto

O Shahed-136 e modelos similares representam uma nova classe de armas que mina as vantagens militares tradicionais. Ao contrário dos mísseis de cruzeiro convencionais, estes drones são produzidos em massa e custam apenas dezenas de milhares de dólares cada. Isto permite que o Irão sobrecarregue as defesas através do grande volume.

De acordo com Michael Horowitz, membro sénior do Conselho de Relações Exteriores, esta tendência é semelhante à introdução da metralhadora na Primeira Guerra Mundial: uma mudança fundamental no carácter do conflito. A escala de potenciais ataques – centenas de drones lançados simultaneamente – cria um cenário em que mesmo alvos altamente defendidos, como porta-aviões dos EUA, se tornam vulneráveis.

“Você não precisa ser um planejador de defesa para entender que essa curva de custos está na direção errada.”

Os EUA gastam atualmente milhões de dólares para interceptar drones que custam apenas 35 mil dólares, tornando a abordagem atual insustentável.

As origens e a escala das capacidades dos drones iranianos

A adopção por parte do Irão de armamento de precisão de longo alcance e baixo custo está enraizada na necessidade. Enfrentando ameaças à segurança regional durante décadas – incluindo uma guerra brutal com o Iraque na década de 1980 – o Irão desenvolveu o seu próprio arsenal militar, centrando-se na acessibilidade e na produção em massa.

Estima-se que o país possua milhares desses drones, com capacidade para produzir ainda mais. A utilização pela Rússia de drones concebidos pelo Irão na Ucrânia demonstra ainda mais a sua eficácia e disponibilidade.

Defesa contra o enxame: são necessárias novas estratégias

A abordagem tradicional dos militares dos EUA de confiar em armamento caro e de alta tecnologia já não é suficiente. Para combater esta ameaça, os EUA devem adoptar uma estratégia de “combinação alta/baixa”: manter sistemas avançados e, ao mesmo tempo, investir em alternativas descartáveis ​​e mais baratas.

A Ucrânia fornece um modelo potencial, sendo pioneira em sistemas de defesa aérea de baixo custo, incluindo drones e até mesmo armas antiaéreas reaproveitadas da Segunda Guerra Mundial, para combater os implacáveis ​​ataques de drones da Rússia.

O futuro da guerra: adapte-se ou fique para trás

A proliferação de drones baratos e eficazes está a remodelar o campo de batalha. As nações devem adaptar-se, adoptando a produção em massa de sistemas não tripulados e aceitando que as vantagens militares tradicionais estão a diminuir.

A era de depender apenas de armas requintadas e caras acabou. A falta de ajustamento deixará os países vulneráveis ​​aos adversários que exercem esta nova forma de guerra de baixo custo.

Esta mudança não diz respeito apenas à tecnologia; trata-se de reconhecer que as regras de envolvimento mudaram fundamentalmente e que o futuro pertence àqueles que conseguem adaptar-se mais rapidamente.