GlobalEye da Saab: os novos olhos da OTAN no céu

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Não é Boeing. Não desta vez.

A OTAN escolheu o gigante de defesa sueco Saab para construir o seu sistema de alerta aéreo antecipado de próxima geração. A plataforma, chamada GlobalEye, deverá substituir a antiga frota de E-3A da aliança construída nos EUA. O anúncio foi feito no Fórum da Indústria de Defesa da Cúpula da OTAN, em Ancara. Parece um pivô. Um deliberado.

O plano é simples. A OTAN abrirá negociações para comprar até dez desses jatos.

Por que substituir os pássaros velhos?

Pense em uma aeronave Airborne Early Warning & Control (AEW C) como um posto de comando voador.

Ele carrega radares e sensores de longo alcance bem acima das nuvens. Ele vê tudo. Mísseis, navios, aviões e até mesmo ameaças de baixa altitude que o radar terrestre não percebe devido à curvatura ou à desordem. Então ele fala com seus pilotos. Diz a eles para onde ir. Como atirar. Como não morrer.

“Numa situação de segurança grave… a capacidade de detectar ameaças precocemente torna-se cada vez mais importante.” — Pål Jonson, Ministro da Defesa sueco

Ele está certo. As ameaças modernas são confusas. Drones, hipersônicos, sinais falsificados. Você precisa de consciência situacional. Agora mesmo. A GlobalEye promete exatamente isso.

Aqui está o problema. A OTAN normalmente depende dos Estados membros para realizar estas missões. Mas, para um alerta precoce, a própria OTAN é proprietária dos aviões. São os “olhos no céu” pertencentes à aliança. E eles estão cansados. Quatorze Boeing E-3As, voando desde 1982, sobrevivem pela ferrugem e pela força de vontade.

O fantasma do Boeing

Este nem foi o primeiro chute a gol de Saab.

Lembra da cauda em cunha do E-7A? A OTAN escolheu-o em 2023. O melhor e mais recente da Boeing. Então, em 2025, tudo implodiu. A Força Aérea dos EUA abandonou-o. Em vez disso, transferiu o orçamento para a vigilância baseada no espaço. De repente, o plano de apoio da OTAN desapareceu.

Entra Saab. De novo. Ou talvez pela primeira vez em tempo real.

Especificações que realmente importam

A Saab comercializa o GlobalEye como o único sistema que oferece vigilância aérea, marítima e terrestre em tempo real a partir de um único convés.

Ele fica no topo da estrutura do jato executivo Bombardier Global 6000. Rápido. Quieto. Eficiente. Ele mistura sensores de radar ativos e passivos. A Saab afirma que pode detectar coisas a mais de 550 quilômetros de distância. Em algumas condições, mais longe. Ele permanece ativo por mais de 11 horas.

Compare isso com o antigo E-3A. Rastreia objetos até 400 km. Voa dez horas. Monitora uma área aproximadamente do tamanho da Polônia, se estiver sozinho. Três deles cobrem a Europa Central. Varredura contínua.

O raio de cobertura da GlobalEye ainda não é totalmente público. Saab não está revelando tudo.

Onze países apoiam esta adesão. Bélgica, Canadá, Dinamarca, Reino Unido… espere, não, Alemanha. Letônia. Lituânia. Luxemburgo. Holanda. Noruega. Romênia. Suécia. Onze bandeiras balançando em uníssono.

Sem contrato. Ainda.

Ainda não há caneta no papel. As negociações formais com a Agência de Apoio e Aquisições da OTAN começam agora. Pode ficar confuso. Os orçamentos estão apertados. A política está mais rígida.

O CEO da Saab, Micael Johansson, está otimista. Ao ponto de agendamento agressivo. Diga ao Dagens Nyheter que pretende iniciar as entregas até 2030. Isso é rápido para um ciclo de compras de defesa. Rápido o suficiente para machucar.

Se o acordo se mantiver. Se os sensores funcionarem como prometido. Se os motores dos jatos executivos não pararem.

Vamos ver.